quarta-feira, 23 de julho de 2008

Questões sobre o jornalismo esportivo brasileiro

Infelizmente, cada vez o tempo está mais curto para escrever. Confesso que gostaria de construir com meus colegas um site, de fato, jornalístico, com muita apuração (prática obrigatória para a profissão, cada vez mais ausente) e produção quando possível. Falta de tempo, cansaço e talvez um pouco de desinteresse fazem com que esse desejo vire um sonho distante.

Enfim, o que me trouxe aqui foi principalmente a transmissão do jogo entre Internacional e São Paulo, no Beira-Rio, pela Bandeirantes. É deprimente e desmotivante ouvir a narração de Téo José e os comentários de Neto. O primeiro com erros na identificação de jogadores e com algumas perguntas hilárias. O ex-jogador é um caos total, ignorando sumariamente questões básicas do jornalismo.

Ah, ele não é jornalista. Se espera, então, uma análise tática e técnica impecável. Limito a dizer que o comentarista ficou 90 minutos fuzilando o Muricy por escalar e treinar mal os três zagueiros. Mal sabia (ou soube) ele que o Zé Luís jogou de volante e o São Paulo foi escalado na prática em um 4-2-2-2 (às vezes se transformando em um 4-2-3-1).

Quanto ao jornalismo esportivo da televisão em Minas, é impressionante como os chamados comentaristas (e até especialistas, veja só) podem ser tranquilamente substituídos por qualquer torcedor que acompanha minimamente o futebol. Lógico que há exceções, mas a maioria dos comentários é feita com uma paixão parcial e um senso comum vergonhoso.

Essas são algumas discussões que dão repercussões intermináveis, até porque a televisão é uma empresa, se baseia no ibope e são essas posições (muitas vezes encenadas) que ganham audiência. Mas o que será que veio antes: essa demanda medíocre da população ou a qualidade pífia do jornalismo?

Enfim, após aquela encenação ridícula do Luciano do Valle (jornalista de uma narração invejável), tudo é possível. Por isso, recomendo muito essa documentário feito com maestria sobre o jornalismo esportivo: http://video.google.com/videoplay?docid=2471769443132225999.

Vejam, analisem e dêem suas opiniões!



Thiago Ricci

5 comentários:

Joao disse...

Infelizmente, a tendênci de que tudo que vira popular acaba estragando por causa do Negócio. O problema das transmissões beneficiar determinados clubes vem não é de hoje. Este problema existe a partir do momento que as rádios brasileiros entraram em cadeias nacional. Jogos do Flamengo é transmitido no Acre, no Rio Grande do Norte, enfim, não vai ser hoje, que as imprensas estão mais universalizadas que as coberturas dos times do eixo Rio-São Paulo vão ser maiores. Eu sou totalmente contra isso. O Brasil não tem só Vasco, Flu, Corinthians, Palmeiras. Mas tem Inter, Cruzeiro, Goiás, Galo, Grêmio, Atletico Paranaense. Mas, no caso a Globo não vai permitir que um Asa de Arapiraca tenha o mesmo espaço que um Corinthians. Na minha modesta opinião, tem que haver um reajuste neste sentido. Sobre o monopolio global, acho que o Lélio Teixeira foi totalmente infeliz (ou hipócrita) em dizer que a Globo deve fazer o que quiser com a transmissão. Primeiro, se ele acha isso correto, é porque nunca foi assistir um jogo nas arquibancadas neste horário. É péssimo e indecente. E mais: se isso é correto, ele nunca deveria dizer isso nos microfones (ele faz muito isso) e se o império da Globo terminar não vai ter boca suficiente para comemorar, já ele é favorável a esta bendita colocação. Até o José Carlos Araújo é contra o monopólio. Ele, ao vivo na Rádio Globo, já reclamou. Então, menos Lélio, menos.

Anônimo disse...

Assistir as transmissões da Band é muito complicado. Não dá para escutar as bobagens que o Neto fala.o pouco de conhecimento q ele tem sobre futebol se restringe ao futebol paulista.

Fábio disse...

Assistir as transmissões da Band é muito complicado. Não dá para escutar as bobagens que o Neto fala.o pouco de conhecimento q ele tem sobre futebol se restringe ao futebol paulista.

Lucas disse...

up!

Luciano Dias disse...

Vivemos no mundo dos negócios. Infelizmente, como o João bem disse, esta tendência acaba estragando a magia do futebol. O documentário Fut Mídia S/A faz um recorte da realidade do jornalismo esportivo do País. A busca pela audiência e o marketing, e até mesmo o despreparo (Thiago citou Neto e Téo José) colocam o esporte em segundo plano. Para tudo tem limite, como destacou Cléber Machado e Juca Kfouri. Limite que não é visto atualmente na televisão brasileira.
De fato, o público tem que se contentar com Roberto Avalone, Milton Neves, Neto, Ronaldo Muller, Jorge Cajuru, Paulo Morsa, dentre tantos outros. Não se esquecendo dos mineiros Flávio Carvalho, Serginho, Dadá Maravilha e Reinaldo Lima.
O jornalismo de qualidade fica a mercê da busca pela audiência.
É uma pena.