sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Traíragem ou profissionalismo?

Coluna Luciano Dias - Memória e calculadora esportiva

As contratações de Jael pelo Cruzeiro, de Carlinhos Bala pelo Náutico, de Marcos Aurélio pelo Coritiba, de Leandro Amaral pelo Fluminense e de Carlos Alberto pelo Vasco geraram alguns questionamentos pelo Brasil. É correto um jogador se transferir para o maior rival? Ou o atleta deve ser profissional e tem que seguir o que é bom para a carreira dele? Na opinião da maioria, a segunda opção é a resposta mais condizente. Mas para alguns atletas, como o lateral argentino Sorín, esta troca tem um nome: "traíragem".

"Traíragem" em Minas


Bem, em Minas, Jael não é o primeiro caso de jogador que vestiu as camisas de eternos rivais. Alguns conseguem sucessos nos times, outros veem a rivalidade como um empecilho para o êxito. No Estado, temos vários exemplos de vira-casacas.

O atacante Roni atuou, com sucesso, com as camisas do Galo (2006) e da Raposa (2007). Alex Mineiro vestiu os mantos dos três clubes de Belo Horizonte. Mas não conseguiu grande destaque em nenhum. Em 2004, o atacante Guilherme, vice-campeão e artilheiro do Brasileirão de 1999 pelo Atlético, vestiu a camisa do Cruzeiro, sem destaque.

Em 2003, foi Fábio Júnior quem virou a casaca. A rivalidade atrapalhou o atacante e um fato cômico marcou a passagem dele pelo Galo. No Brasileirão daquele ano, Fábio Júnior desperdiçou um pênalti contra o Cruzeiro e a torcida celeste gritou o nome do atleta. Aquilo foi a gota d´água para os atleticanos. No mesmo ano, o baiano Alex Alves também atuou pelo alvinegro. No final dos anos 90, o atacante havia sido destaque vestindo a camisa da Raposa.

Em 2002, o Atlético chegou às semifinais do Brasileiro com vários ex-cruzeirenses na equipe: Djair, Valdo, Marcelo Djean e Cleison.

Entre as décadas de 80 e 90, o Cruzeiro contratou três eternos ídolos do Atlético: Reinaldo Lima (86), Paulo Isidoro (89), Luisinho (93) e Toninho Cerezo (94). Em meados dos anos 90, o lateral direito Paulo Roberto Costa trocou a Raposa pelo Galo, declarando amor pela torcida alvinegra. O próprio atual treinador do Cruzeiro atuou nos dois grandes de Minas, quando jogador, na primeira metade dos anos 90.

Mas, teve ídolo cruzeirense vestindo a camisa do Galo também. Palhinha fez sucesso no time celeste na década de 70 e, nos anos 80 jogou pelo Atlético. O lateral Nelinho foi o atleta que teve mais êxitos com as duas camisas. O polêmico jogador conseguiu títulos nos dois clubes.

Vira a casaca pelo Brasil

Pelo Brasil, os exemplos são numerosos. Mas, destacaremos alguns jogadores dos últimos oito anos. No Rio de Janeiro, o meia Felipe, que começou como lateral no Vasco, atuou no Flamengo e se declarou Rubro-Negro de coração.

Nesta quarta-feira, o armador Carlos Alberto foi anunciado na equipe cruzmaltina. Com apenas 24 anos, o atleta já atuou também no Fluminense e no Botafogo. Sem contar com suas passagens nos rivais Corinthians e São Paulo. Leandro Amaral troco nos últimos dias, o Vasco pelo Fluminense. Sua dupla de ataque no time cruzmaltino na última temporada, Edmundo, já vestiu também as camisas do Fluminense e do Flamengo. Em São Paulo, o "Animal" atuou pelo Palmeiras, Santos e Corinthians.

Roger declarava amor quando jogava pelo Flu, mas foi só vestir o manto do Flamengo, que também se declarou Rubro-Negro. Luizão também foi chamado de traíra. No Rio, ele vestiu as camisas do Vasco, do Botafogo e do Flamengo. Em Sampa, ele atuou pelo Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Muller também jogou no trio de ferro paulista, além do Santos.

No Rio Grande do Sul, o volante Tinga e o atacante Christian são considerados traíras pelos rivais gaúchos. Em Pernambuco, é Carlinhos Bala que carrega a fama. Ele já vestiu as camisas do Santa Cruz, Sport e Náutico, clube que joga atualmente.

Voltando a Sampa, outros dois exemplos. Magrão parecia um palmeirense apaixonado quando jogava pelo Verdão, mas quando atuou pelo Corinthians, o amor pelo Palmeiras simplesmente desapareceu. Ilsinho, sem oportunidades no Verdão, pulou o muro e fez grande sucesso com a camisa do São Paulo. Denilson fez um caminho inverso, mas antes pelo menos "desfarçou" fazendo um tour pela Europa.

Se fizermos um resgate de atletas que vestiram camisas de eternos rivais em todos os tempos, este texto se estenderia por muito...muito mais linhas. Ah, e para quem pensa que esquecemos de Romário ele aparece na lista abaixo, do jornal espanhol Marca.

Confira os 20 maiores traíras do futebol mundial, de acordo com Jornal Marca:

1º Figo: do Barcelona para o Real Madrid
2º Roberto Baggio: da Fiorentina para a Juventus
3º Ruggeri: do Boca Juniors para o River Plate
4º Sol Campbell: do Tottenham para o Arsenal
5º Batistuta: do River Plate para o Boca Juniors
6º Romário: do Vasco para o Flamengo e novamente para o Vasco
7º Cruyff: do Ajax para o Feyenoord
8º Caniggia: do River Plate para o Boca Juniors
9º Hugo Sánchez: do Atlético de Madrid para o Real Madrid
10º Mo Johnston: do Celtic para o Glasgow Rangers
11º Tardelli: da Juventus para a Internazionale
12º Luis Enrique: do Real Madrid para o Barcelona
13º Krancjar: do Dínamo de Zagreb para o Hajduk Split
14º Paul Ince: do West Ham para o Manchester United
15º Laudrup: do Barcelona para o Real Madrid
16º Aldo Serena: do Torino para a Juventus
17º Cáceres: do River Plate para o Boca Juniors
18º Denis Law: do Manchester United para o Manchester City
19º Schüster: do Barcelona para o Real Madrid
20º Gatti: do River Plate para o Boca Juniors

2 comentários:

fábio disse...

antigamente era incomum se trasnferir para o maior rival. Hoje, é muito normal e o jogador tem q fazer o q é melhor pra carreira.

o ronaldo também é um grande traíra. barça-realmadrid e internazionale-milan.

Bruno Miranda disse...

Muito legal a matéria. Mas, o atleta deve ser profissional. No futebol atual, se transferir para o rival não é traíragem.

abraços