sábado, 21 de março de 2009

Maldição dos Américas

Coluna Luciano Dias - Memória e calculadora esportiva


No futebol brasileiro há muitos Américas. Mas, nenhum de sucesso. Nesta quinta-feira, pela Copa do Brasil, o Coelho de Belo Horizonte fez a fama de falta de glórias dos Américas nos últimos tempos. A equipe foi derrotada pelo modesto Águia de Marabá, em "pleno" Mineirão. Este é apenas o último exemplo de insucessos.

Vamos destacar a trajetória bonita de alguns Américas do país e, ao mesmo tempo, os fracassos. O América mais antigo é o do Rio de Janeiro, fundado em 1904. Tradicional equipe do futebol fluminense, principalmente até a década de 60, tornou-se decadente e carente de conquistas. Atualmente está na Segunda divisão do futebol do Rio e não configura em nenhuma das quatro séries do campeonato nacional. Nesta semana, o clube ganhou um grande reforço, fora das quatro linhas: Romário, agora dirigente do clube, promete reerguer a tradicional equipe.

Belfort Duarte: a inspiração

Em 1914, o zagueiro do América carioca Belfort Duarte viajou pelo Brasil com uma idéia na cabeça: induzir o surgimento de vários clubes com as mesmas cores e nome do time da Tijuca. A partir daí, surgiram uma grande quantidade de Américas pelo Brasil, muitos deles - não por coincidência - com cor vermelha, nome com “Futebol/Football Clube/Club” e distintivo redondo com as iniciais dentro.

Claro, nem todos os Américas do Brasil homenageiam o clube carioca. Até porque são tantos que era inevitável que alguns tivessem história própria.


Haja América

No futebol profissional do Brasil, existem atualmente 10 clubes registrados com o nome América. Número que já foi bem superior, mas muitos times foram extintos, casos dos Américas do Acre, do Amazonas e do Espirito Santo.

O América de Belo Horizonte é um dos poucos que não é vermelho e não recebeu seu nome em homenagem ao xará carioca. O Coelho foi fundado em 1913, com cores (verde e branco) e nome definidos por sorteio (o time poderia ter se chamado Arlequim, Tymbiras ou Guarany). Com o decacampeonato mineiro de 1916 a 1925, o América-MG se tornou o maior campeão seguido da história do futebol brasileiro, ao lado do ABC.

Aos poucos, o clube foi perdendo espaço para o Cruzeiro e se tornou uma força secundária no cenário local. Ainda assim, mantém sua tradição de revelar jogadores e causou alguma comoção ao disputar a segunda divisão estadual em 2008. A equipe tem Copa Sul-Minas, 15 Campeonatos Mineiros, um Brasileirão (segunda divisão) e um Mineiro (segunda divisão).

O segundo América de Minas Gerais é um clube pequeno, mas de alguma tradição no interior. O América de Teófilo Otoni foi fundado em 1936 e, hoje, disputa a o Módulo I do Campeonato Mineiro, equivalente à segunda divisão do estadual.

Mas, quando o assunto é títulos conquistados por América, o de Natal leva a melhor. São 32 campeonatos estaduais, um Nordestão e um Norte-nordeste. Além de ter mais títulos do que qualquer homônimo, tem uma torcida numerosa e esteve na elite nacional há menos tempo (2007).

Em São Paulo, o América é considerado uma das equipes mais tradicionais do estado. Atualmente está na segunda divisão estadual. De qualquer modo, ainda mantém o Teixeirão, um dos maiores estádios do interior paulista.

O América de Sergipe foi o último entre os homônimos a conquistar um título de primeira divisão. Em 2007, o time de Propriá acabou com um jejum de 41 anos e foi campeão estadual.

No estado do Amazonas, o América local ficou mais famoso por seu técnico-presidente do que pelos resultados. Amadeu Teixeira fundou o clube em 1939 ao lado de seu irmão. Ambos trabalharam como cartolas, mas, em 1955, Amadeu se deu o cargo de técnico. Assim o clube ficou por 56 anos, só conquistando um título nesse período (o estadual de 1994, os demais foram entre 1951 e 54). Amadeu ganhou tanta projeção que o principal ginásio de esportes de Manaus, ao lado do Vivaldão, recebeu o nome de Arena Amadeu Teixeira.

Tradições, extinções, fracassos...América. Há quem diga que o maior culpado de tudo isso foi o navegador Cristovão Colombo.

4 comentários:

Bruno Miranda disse...

Nenhum América salva. Está em extinção. hahaha

Thiago Madureira disse...

Caríssimo,
Muito interessante sua matéria sobre os Américas.
Abraços...

Vinicius Grissi disse...

Ótimo texto! Pena que os Américas realmente caíram em descrétido. Sou muito simpático ao carioca e ao mineiro.

Anônimo disse...

Por 10 anos o america MG foi vermelho e branco...

EDU,.